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Comunicação que tudo vende

“Não faço publicidade para todos, faço para a maioria”

A frase causou um certo impacto e saiu da boca do empresário Carlos Martins Santos Ramos de Oliveira Albuquerque, o queridinho do momento no mercado de alimentos. Um personagem que, infelizmente, jamais existiu porque foi criado para ilustrar a história que vem a seguir:

O Carlos Martins precisava contratar uma agência de publicidade, mas fazia questão de saber antes qual percentual de conversões em vendas sobre o público total impactado pela campanha que a agência bolaria. Foi advertido pelo próprio gerente de marketing que seria difícil alguma agência estabelecer esse percentual, afinal estamos falando de gente, o que é um pouco mais complicado.

Mesmo com o aviso a ideia permanecia fixa na cabeça do empresário. Ele precisava ter a segurança de que a agência faria o melhor pelo seu negócio desde o começo e de que a proposta seria vantajosa para sua empresa.

Consultou três boas agências, enviou o briefing com suas necessidades a cada uma delas e aguardou alguns dias, até as apresentações. Houve um empate técnico entre as três agências no quesito criatividade, mas o que parecia é que o Carlos Martins estava atrás da resposta à sua pergunta: qual será a capacidade de conversão.

Sobre a pergunta, a primeira agência respondeu que, com base em sua estratégia de mídia seria possível impactar cada pessoa pelo menos três vezes e, por isso, a campanha poderia garantir 100% de conversão da comunicação.

Já os responsáveis pela segunda agência entrevistada foram enfáticos em esclarecer que com uma ideia criativa tão bem articulada e original aliada ao bom uso das mídias sociais, não haveria outro resultado que não fossem os 100% de conversão.

A terceira agência a se apresentar também não deixou de se gabar pelos feitos na criação, estratégia e seleções de mídias, porém informava a estimativa uma conversão entre 70% e 80%. E para as empresas do Carlos Martins, 20% são muita coisa.

Logo após a saída dos representantes das agências, o empresário tomou sua decisão como se não tivesse sequer analisado as propostas. Decidiu pela terceira e pronto. “Se quiser fazer um drama e deixá-los esperando um pouco, pode fazer, mas a terceira é minha escolha”, disse Carlos ao Gerente de Marketing, que parecia ter entendido a lógica do raciocínio. Mas o mesmo não aconteceu com o gerente financeiro que, vendo um ‘prejuízo’ iminente, indagou: “Por quê?”.

– Simples. Tenho anos de vida profissional, já fui funcionário em algumas empresas e tentei empreender em diversos segmentos antes que desse certo. Durante esse tempo, jamais tive acesso a alguma pesquisa qualitativa ou quantitativa que oferecesse 100% de índices para qualquer resposta. Se você parar para analisar, vai ver que existem cem maneiras de se divulgar uma coisa e nenhuma delas será unânime. Sempre existirão os que não gostam. Procuro uma agência capaz de ser eficiente com criatividade e não que me venda simplesmente sonhos impossíveis. Pensando nas probabilidades, acho que teremos mais chance com quem trabalha com cenários reais. Não faço publicidade para todos, faço para a maioria.

O cara do marketing deu um sorriso de lado, confirmando que já entendera a lógica anteriormente. O gerente financeiro ainda ficou com um pé atrás, mas no fundo sabia que a coisa fazia sentido. E na semana seguinte a empresa do Carlos Martins Santos Ramos de Oliveira Albuquerque já teria uma nova agência.

Autor: Jorge Pedrosa

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